Ângela Mª Cunha Fausto de Medeiros
AFLAM – Cadeira 20
AFLAM – Cadeira 20
Aos poucos e mais devagar prossigo no vai e vem da minha existência. Um pouco mais desarmada, é bem verdade, pelos cabelos brancos que começam a assustar-me no jogo da vida. Também percorrer quarenta e três anos do “buraco do tatu” aos altos da cidade, hão de convir que não foi muito fácil. Alto da Conceição, Alto de São Manoel, Alto do Xerém, Alto do Louvor, tudo isso sem contar o Rabo da Gata e a Lagoa do Mato. Todos esses lugares já percorri em decorrência do meu trabalho. Não havia o que temer. Apenas dos percalços, tinha e tenho uma vida feliz. Amo hoje minha terra, reconheço o seu valor. Igual a Mossoró, circulando em trilhos, me transformei, tornei-me adulta, construí meu lar. Tive bons mestres como Pe. Alcir da Silveira Borges e Pe. Sátiro Cavalcante Dantas.
O tempo sempre implacável passa me enrugando a fronte. Agora, com problemas de hipertensão, igual a meu velho, traço planos mais moderados. Procuro aproveitar com menos canseiras, sem dia marcado, o que a vida possa me oferecer: terminar de criar meus filhos junto ao nego, ouvir um bom fado, saborear uma cerveja gelada e tirar uns tragos.
A vida deve ser assim, sem automorfismo, como uma flor natural, rubra, igual a flor dos Cardeiros.
Procurei aceitar a vida tal qual se me apresentou sem arrependimentos, à cor do pó. Altaneira, igual a minha cidade natal em suas revoltas, quando expulsou Lampião e entrincheirou nos bueiros e torres das Igrejas uma corja de malfeitores.
Os meus, mesmo os que partiram para outras entradas, foram e são pessoas simples, mas com a dignidade de um ascese.
Deixo escrito as recordações, desvios, quimeras e emoções que aqui vivi. Entrada dos Cardeiros, as tuas visitas, para mim foram poemas e cada dia em que em ti vivi, até hoje, foram saudades.
O tempo sempre implacável passa me enrugando a fronte. Agora, com problemas de hipertensão, igual a meu velho, traço planos mais moderados. Procuro aproveitar com menos canseiras, sem dia marcado, o que a vida possa me oferecer: terminar de criar meus filhos junto ao nego, ouvir um bom fado, saborear uma cerveja gelada e tirar uns tragos.
A vida deve ser assim, sem automorfismo, como uma flor natural, rubra, igual a flor dos Cardeiros.
Procurei aceitar a vida tal qual se me apresentou sem arrependimentos, à cor do pó. Altaneira, igual a minha cidade natal em suas revoltas, quando expulsou Lampião e entrincheirou nos bueiros e torres das Igrejas uma corja de malfeitores.
Os meus, mesmo os que partiram para outras entradas, foram e são pessoas simples, mas com a dignidade de um ascese.
Deixo escrito as recordações, desvios, quimeras e emoções que aqui vivi. Entrada dos Cardeiros, as tuas visitas, para mim foram poemas e cada dia em que em ti vivi, até hoje, foram saudades.
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